
No Brasil, a Caixa fechou o primeiro semestre com um total de R$ 34,1 bilhões em sua carteira de crédito imobiliário, com a assinatura de 575 mil contratos. Isto representa um aumento de 95,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números paranaenses são proporcionais: até o fim de junho, 29.063 pessoas haviam conseguido o crédito para a compra da casa própria, emprestando da Caixa um total de R$ 2,1 bilhões. O crescimento em relação ao primeiro semestre de 2009 é de 96,3%.
Para Hermínio Basso, superintendente regional da Caixa para Curitiba, o crescimento vigoroso nos contratos de empréstimo é consequência do desempenho da economia brasileira na última década. “Tivemos no Brasil um aumento na renda e do emprego, que resulta em menos inadimplência e, consequentemente, taxas de juros mais baixas”, explica.
Basso também ressalta como ponto positivo as mudanças na formatação dos empréstimos realizados pela Caixa. “O tempo de financiamento é mais longo e as formas de comprovação de renda são mais flexíveis, a burocracia diminuiu, os juros são pré-determinados e o valor da parcela tende a diminuir com o tempo. Com isso, os usuários estão com muito menos medo de fazer um financiamento”, relata.
Mercado
A notícia, embora já esperada, foi muito bem recebida no setor da construção civil. “O volume de crédito, que está crescendo anualmente, justamente explica a expansão do setor”, relaciona Marcos Kahtalian, consultor de mercado do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR). “Em contrapartida, nos preparamos para acompanhar este crescimento e evitar problemas como excesso de demanda ou carência de mão de obra qualificada”, afirma.
Para Gustavo Selig, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), o mercado se especializou em trabalhar por meio de financiamentos e afinou a parceria com os bancos. “Praticamente 70% das nossas vendas acontecem por meio de crédito ao comprador. As construtoras e incorporadoras fazem parcerias com todos os bancos, não apenas com a Caixa”, relata. Selig aponta a importância desse trabalho conjunto para a diminuição da burocracia na concessão de empréstimos. “A simplificação dos contratos foi uma exigência do próprio mercado. Hoje as construtoras já têm seus imóveis pré-cadastrados junto aos bancos, diminuindo o número de etapas do processo. Antigamente o cliente levava até 50 dias para a concessão de empréstimo, hoje a média é 15 dias”, relaciona.