Requião e Marcelo Almeida: sem confiança nas instituições bancárias.
(foto: Franklin de Freitas)
No Paraná, a prática de manter dinheiro guardado
“embaixo do colchão” é comum entre os candidatos que disputarão as
eleições de outubro. Assim, como em outras regiões do país, as
declarações de bens dos políticos paranaenses, entregues a Justiça
Eleitoral, revelam que muitos deles não confiam nas instituições
bancárias. Levantamento parcial feito pela reportagem do Jornal do
Estado com base em dados oficiais revelam que mais de R$ 2 milhões
estão fora de circulação, declarados à Justiça eleitoral como sendo
mantidos “em espécie”, ou seja, em dinheiro, pelos candidatos. A lista
inclui o ex-governador e candidato ao Senado pelo PMDB, Roberto
Requião, que com um patrimônio total declarado de R$ 797 mil, afirmou
manter R$ 400 mil em espécie.
A polêmica em relação aos
candidatos que acumulam capital em casa teve início nas eleições 2010
quando veio à tona a informação de que a presidenciável petista, Dilma
Roussef, mantém em seu poder R$ 113 mil. Membros da oposição chegaram a
levantar suspeitas sobre a origem dos recursos. O líder do PSDB na
Câmara, deputado João Almeida (BA), chegou a afirmar que se a candidata
“faz isso é porque não pode justificar no banco”. Dilma informou
através de sua assessoria que não comentaria o caso, uma vez que a
prática não é ilegal.
No Paraná, muitos outros candidatos – a
maioria disputa a reeleição – conserva parte do patrimônio em sua
propriedade. O deputado federal Abelardo Lupion (DEM) diz possuir R$
395 mil em moeda nacional, Moacir Micheletto (PMDB) R$ 282 mil,
Hidekazu Takayama (PSC) R$ 235.680,00, Marcelo Almeida R$ 100 mil,
César Silvestre (PPS) R$ 85 mil, Reinhold Stephanes (PMDB) R$
83.050,00, Eduardo Sciarra (DEM) R$ 25 mil, Luiz Carlos Hauly (PSDB) R$
20 mil, entre outros.
Patrimônio — Dos 30
deputados federais paranaenses, 26 possuem somados patrimônio -
declarado a Justiça Eleitoral – de R$ 865.811.560,00. Apenas Alceni
Guerra (DEM) e os candidatos ao Senado, Gustavo Fruet (PSDB) e Ricardo
Barros (PP) não declararam possuir bens. De acordo com a assessoria do
Tribunal Regional Eleitoral (TRE/PR), isso pode ter acontecido por
conta de erro na leitura do CD entregue pelos próprios candidatos. As
informações devem estar corrigidas até o final da semana. O deputado
federal Cássio Taniguchi (DEM) não disputará a reeleição.
Do
montante total, R$ 683.270.832,00, ou seja, 78,9% do total, pertencem
ao deputado federal Marcelo Almeida (PMDB). Na eleição passada, o
peemedebista declarou R$ 86 milhões. O salto se justifica pelo
falecimento do pai do deputado, o empreiteiro Cecílio do Rego Almeida.
Graças a esses números, Almeida aparece como o parlamentar mais rico do
País e o segundo mais rico entre os candidatos, atrás apenas do
candidato a vice-presidência na chapa de Marina Silva (PV), Guilherme
Leal (PV), dono da Natura cosméticos, com patrimônio declarado de R$
1,2 bilhão.