PASTORAL DA CRIANÇA É MOVIDA PELA FORÇA DA MULHER - 08/03/2010

Pastoral da Criança é movida pela força da mulher

Atualmente são 245 mil voluntárias espalhadas pelo Brasil e em vários outros países
  |  João Pedro Schonarth

Ambiente eminentemente feminino, a Pastoral não para (foto: Jonas Oliveira)
Mesmo antes de sua morte, Zilda Arns, a fundadora da Pastoral da Criança, já tinha deixado um legado. A Pastoral é uma das instituições mais atuantes do mundo, e é movida pela força das mulheres. Atualmente são 266 mil voluntários que a fazem funcionar. Deste exército, 245 mil são mulheres. A Pastoral da Criança nasceu com o objetivo de dar atenção às crianças em situação de risco neonatal e alimentar. Preceito que se mantém.

Hoje, quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher, quem ficou na Pastoral ainda tenta recolher os cacos pela perda de Zilda. “Em cada encontro falamos ‘A doutora (Zilda Arns) não quer que as crianças passem fome’, ‘A doutora diz que não podemos parar’. O espírito dela estará sempre com a gente”, afirma Maria da Conceição Oliveira Hamester, mais conhecida como Ceiça, coordenadora da Pastoral em Curitiba e amiga pessoal de Zilda Arns.

Mas a maior prova do sucesso dos programas da Pastoral, é que dificilmente os trabalhos perderão sentido. Até porque Zilda Arns já era um ícone mesmo antes de sua morte no terremoto que devastou o Haiti no dia 12 de janeiro. “é muita pretensão dizer que está tudo tranquilo, pois está tudo muito recente. Ainda estamos buscando forças para continuar e fazer com que o trabalho cresça. Mas a semente continua a ser semeada”, completa Ceiça.

Outra parte do sucesso deve ser creditada na crença feminina. Ceiça explica que a chegada de mulheres ao projeto se deu por causa da transparência com que o trabalho é feito e do amor com que as ações são realizadas. “Além disso, a mulher é polivalente. Na Pastoral, elas têm como desenvolver seu potencial de criatividade, em desenvolver o seu jeito humano”, ressalta.

A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, irmã Vera Lucia Altoé, comemora a participação de tantas mulheres no projeto. “Elas têm o coração materno, são sensíveis e querem cuidar do próximo. Eu dou nota mil e um para todas as mulheres que fazem parte da pastoral que, mesmo com todos seus afazeres, se dedicam em visitar e ajudar outras famílias”, avalia a irmã.

Para continuar a seguir os passos de Zilda, a Pastoral lança agora uma campanha para que cada voluntária convide mais uma pessoa a participar do programa. “Mesmo com a dor e com a ausência, não podemos parar. A pessoa vai, mas o espírito fica, por isso devemos continuar”, diz Ceiça.

“Ela podia ficar em casa jogando seu baralho, mas ela resolveu se dedicar a cuidar do próximo. Ela fez a diferença aqui no Brasil e em outros 19 países do mundo. Zilda era uma mulher completa, um ícone para todas nós”, relembra Vera Lúcia.
(Jornal do Estado - |Curitiba)


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