Atualmente são 245 mil voluntárias espalhadas pelo Brasil e em vários
outros países
Ambiente eminentemente feminino, a Pastoral não para (foto: Jonas Oliveira)
Mesmo antes de sua morte, Zilda Arns, a fundadora da
Pastoral da Criança, já tinha deixado um legado. A Pastoral é uma das
instituições mais atuantes do mundo, e é movida pela força das
mulheres. Atualmente são 266 mil voluntários que a fazem funcionar.
Deste exército, 245 mil são mulheres. A Pastoral da Criança nasceu com
o objetivo de dar atenção às crianças em situação de risco neonatal e
alimentar. Preceito que se mantém.
Hoje,
quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher, quem ficou na
Pastoral ainda tenta recolher os cacos pela perda de Zilda. “Em cada
encontro falamos ‘A doutora (Zilda Arns) não quer que as crianças
passem fome’, ‘A doutora diz que não podemos parar’. O espírito dela
estará sempre com a gente”, afirma Maria da Conceição Oliveira
Hamester, mais conhecida como Ceiça, coordenadora da Pastoral em
Curitiba e amiga pessoal de Zilda Arns.
Mas a maior prova do
sucesso dos programas da Pastoral, é que dificilmente os trabalhos
perderão sentido. Até porque Zilda Arns já era um ícone mesmo antes de
sua morte no terremoto que devastou o Haiti no dia 12 de janeiro. “é
muita pretensão dizer que está tudo tranquilo, pois está tudo muito
recente. Ainda estamos buscando forças para continuar e fazer com que o
trabalho cresça. Mas a semente continua a ser semeada”, completa Ceiça.
Outra
parte do sucesso deve ser creditada na crença feminina. Ceiça explica
que a chegada de mulheres ao projeto se deu por causa da transparência
com que o trabalho é feito e do amor com que as ações são realizadas.
“Além disso, a mulher é polivalente. Na Pastoral, elas têm como
desenvolver seu potencial de criatividade, em desenvolver o seu jeito
humano”, ressalta.
A coordenadora nacional da Pastoral da
Criança, irmã Vera Lucia Altoé, comemora a participação de tantas
mulheres no projeto. “Elas têm o coração materno, são sensíveis e
querem cuidar do próximo. Eu dou nota mil e um para todas as mulheres
que fazem parte da pastoral que, mesmo com todos seus afazeres, se
dedicam em visitar e ajudar outras famílias”, avalia a irmã.
Para
continuar a seguir os passos de Zilda, a Pastoral lança agora uma
campanha para que cada voluntária convide mais uma pessoa a participar
do programa. “Mesmo com a dor e com a ausência, não podemos parar. A
pessoa vai, mas o espírito fica, por isso devemos continuar”, diz Ceiça.
“Ela
podia ficar em casa jogando seu baralho, mas ela resolveu se dedicar a
cuidar do próximo. Ela fez a diferença aqui no Brasil e em outros 19
países do mundo. Zilda era uma mulher completa, um ícone para todas
nós”, relembra Vera Lúcia.
(Jornal do Estado - |Curitiba)