No dia 5 de janeiro de 1878 chegava ao Porto de Paranaguá o navio "Sulis", vindo de Gênova, Itália, com imigrantes que buscavam destino melhor. Eles vinham pressionados pela crise econômica de seu país e estimulados pela propaganda imigratória brasileira.
Com muitas dificuldades de adaptação ao litoral paranaense, as famílias italianas subiram a serra, ávidos em encontrar lugares mais salubres e adequados para a agricultura. Depois de três dias de exaustiva viagem, chegaram a Curitiba, onde tinham ouvido dizer que o solo era mais semelhante com de sua terra natal, a Itália.
As famílias que deram origem à Santa Felicidade, além de seu tradicional apego à terra, ao trabalho, à família e à vida ordeira e pacata, traziam consigo outra forte tradição: o apego à religião católica.
Em um terreno cedido por Marco Mocellin construiu-se a primeira Capela em madeira no ano 1882.
Em 1886, a Família Smaniotto doou o terreno para a construção do cemitério da comunidade. A primeira pessoa nele sepultada foi o jovem Giuseppe Boscardin, de 22 anos, morto em acidente no moinho de seu pai.
Em dezembro de 1891 foi solenemente inaugurada a Igreja Matriz de Santa Felicidade - cujo patrono é São José. A construção foi motivo de orgulho para os colonos, pois foi feita em mutirão aos finais de semana e - em apenas três anos - uma Igreja de 42 metros de comprimento, 16 metros de largura com 3 naves estava de pé.
Em 1916 é criado o Distrito Judiciário, tendo como limites: a leste, o rio Barigui; a oeste, o rio Passaúna; ao norte, as estradas do Taboão e do Juruquy e, ao sul, as Colônias Órleans e Santa Ignácio.
A partir deste período até a década de 50, Santa Felicidade experimenta um largo período de consolidação. A rotina do trabalho agrícola determina o ritmo dos dias e das estações. A prosperidade econômica se traduzia em melhoria do nível de vida.
O censo de 1950 indica a existência de 4000 habitantes no distrito. Até aquele momento, em Santa Felicidade só se falava o dialeto vêneto, como se o local sequer pertencesse ao Brasil.
A fama da comida italiana começou no ano de 1954, com o aumento do fluxo de caminhões que cruzavam o bairro, rumo à estrada do Cerne. Aproveitando o fluxo, muitas famílias moradoras na beira da estrada começaram a servir comida aos viajantes, como as que serviam para a família. Em 1952, Ogênio Trevisan fundava o Restaurante Cascatinha. Já nos anos 60 seriam fundados os restaurantes Madalosso (1964) e Veneza (1965).
Logo a região começou a ser reconhecida pela gastronomia, tradição preservada até hoje pelos pratos típicos que encantam os clientes e turistas que visitam a região, como o risoto, a polenta, a lasanha, o nhoque, o macarrão e o frango.
Eventos típicos como a Festa da Uva (em fevereiro), criada em 1959, e a Festa da Polenta e do Frango (em julho), manifestam as tradições de cultura italiana preservadas até hoje em Santa Felicidade.
:: Portal de Santa Felicidade ::
Portal de entrada do bairro, inaugurado em 27 de outubro de 1990, representando, de forma estilizada, os valores da cultura italiana trazida pelos primeiros imigrantes que chegaram há mais de um século.
:: Igreja Matriz de São José ::
É uma das construções mais importantes da colônia, com sua fachada de elementos românticos e clássicos e o elegante campanário isolado do corpo principal do edifício, conforme tradição italiana. Quase em frente à Igreja está situado o Cemitério de Santa Felicidade, com seu inédito panteão construído por 18 capelas em estilo neoclássico inaugurado em 1886 e tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico em 1977.
:: Casa dos Gerânios ::
1891, construída por Nicolau Boscardim. Também chamado de Sobrado Nona Carolina, antiga moradora que costumava colocar gerânios nas janelas.
:: Casa dos Painéis ::
Do século passado, com pinturas na parede frontal com motivos de paisagem, a Casa das Arcadas, construída por Marco Mosselini há aproximadamente 100 anos, com pórtico em arcos.
:: Casa Culpi ::
Datada de 1897. O antigo armazém e residência da família Culpi, de imigrantes italianos, foi construído em 1897. Desde 1990, transformou-se em um Memorial da Imigração Italiana em Curitiba. A Casa Culpi serve de museu e espaço cultural. Expõe vários equipamentos, artefatos e fotos dos antigos imigrantes italianos. Também, abriga curso de língua italiana, atelier e exposições. É um centro de referência da cultura italiana em Curitiba e sede do Circolo Vicentini.
:: Casa dos contos ::
Residência do bairro, Unidade de Interesse de Preservação Histórico e totalmente restaurada. É um espaço cultural que abriga em seu acervo original uma série de contos e anedotas contadas pelos próprios moradores do bairro. O local ainda mantém um Posto de Informação Turística (PIT) credenciado pela Prefeitura de Curitiba, que oferece qualquer tipo de informação turística sobre Curitiba e Santa Felicidade.
:: Casa dos arcos ::
Construção centenária, com típica arquitetura italiana da época. No local, funciona atualmente um restaurante italiano.
:: Gastronomia ::
A atração maior de Santa Felicidade é a de ser o Bairro Gastronômico de Curitiba, com grande número de restaurantes ali instalados que oferecem, além de delicioso vinho caseiro, os pratos típicos como risoto, polenta, lasanha, nhoque, macarrão e frango. A região concentra o maior número de eventos realizados em Curitiba, como casamentos, formaturas e festas de confraternização.